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10/02/2018 15:37:41 -
AROMAS DO NORDESTE
Governo apresenta plano de implantação da Embrapa em Alagoas

A presidente era Dilma Roussef e a pasta do Ministério da Agricultura era ocupada pela senadora Kátia Abreu. E lá se vão dois anos desde que foi anunciada, no final de fevereiro de 2016, a criação de um Centro de Pesquisas da Embrapa em Alagoas. O Estado é um dos dois no País que ainda não tem um Centro de Pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária – a maior do mundo em agropecuária tropical.

Após permanecer por quase dois anos apenas no papel, uma ação conjunta do governo federal e com o governo do estado desengavetaram o projeto, anunciando quinta-feira passada, 08, o plano de implantação do Centro de Pesquisas em Alagoas.

Os investimentos previstos, inicialmente, são de R$ 10 milhões. A apresentação do projeto foi presidida pelo governador Renan Filho, contando com a participação do secretário de Agricultura de Alagoas, Antônio Santiago e dos técnicos, João Flávio Veloso e Tenisson Waldow, que participaram do desenvolvimento do projeto de implantação da Embrapa Alagoas, já aprovado no Conselho de Administração da Embrapa – Consad, além de deputados estaduais e demais autoridades governamentais e representantes de entidades de classe ligadas ao segmento agropecuário alagoano.

De acordo com o governador Renan Filho, a vinda da unidade de pesquisa da Embrapa para Alagoas traz avanços na capacidade de inovação e fortalece a ciência e tecnologia, fazendo com que o Estado possa crescer ainda mais, melhorando os seus indicadores e a vida.

“Alagoas é um Estado se entrega no segmento da agricultura, pecuária, gastronomia, turismo, produção de alimentos. O governo do Estado vai fornecer o terreno para a construção da unidade, além de viabilizar as condições para a instalação da Embrapa. Agora, só falta a parte de operacionalização, identificando qual área ela será instalada”, declarou Renan Filho.

A implantação do projeto começa, segundo o secretário Antônio Santiago, em abril deste ano. Até o centro de pesquisa funcionar pra valer serão necessários, mais um ano ou dois. Até lá, a Embrapa vai precisar definir uma área em parceria com o Estado e construir as novas instalações, incluindo laboratórios e campos experimentais.

Aromas do Nordeste

Alagoas já tem uma unidade de pesquisa da Embrapa, vinculada a Embrapa Tabuleiros Costeiros, que fica sediada em Aracaju, que tem pesquisas voltadas para a produção de culturas como o coco e grãos, entre outras.

O Centro de Alagoas, assim como todos os outros terão um foco específico, a partir de particularidades do agronegócio alagoano, com área de atuação regional.

“O foco desta nova unidade será alimentos, fazendo o link com nutrição, saúde, associado com gastronomia e turismo, gerando e adaptando conhecimento e tecnologia para o setor rural. É uma coisa superimportante para o Estado de Alagoas. Temos, por exemplo, a própolis vermelha, com certeza esta substância tem que ser explorada aqui, assim como a pimenta vermelha, nativa nossa, o nosso derivado de leite. Porque não podemos agregar valor e melhorar a qualidade dos nossos produtos lácteos? Também vamos desenvolver produtos para o turismo e a saúde”, aponta Santiago.

Não é só. Outro produto que certamente vai entrar na pauta da nova Embrapa é a cana-de-açúcar, “ não no sistema de produção, mas no desenvolvimento de novos produtos e aplicações, como a questão de bioplástico e outras características importantes que poderão agregar valor a cana-de-açúcar”, explica Santiago.

O secretário lembra ainda que culturas importantes para Alagoas como a mandioca e a macaxeira, passando por derivados, como a tapioca também serão objeto do centro da Embrapa em Alagoas: “todos esses alimentos que a gente chama de territoriais ou funcionais farão parte do enfoque principal. Essa unidade tem também, além de todo o estado de Alagoas, vai atender inicialmente toda a região Nordeste”, enfatiza.

AGÊNCIA ALAGOAS

Uma comissão de pesquisadores da Embrapa foi enviada ao Estado para realizar um estudo sobre as potencialidades a serem exploradas pela empresa. Uma das premissas adotadas pela comissão foi a tendência de mercado global, observada nas cinco maiores economias do mundo, com a demanda por alimentos funcionais, ou seja, aqueles enriquecidos com aditivos – como vitaminas, fibras e minerais dietéticos – que contribuem para a manutenção da saúde e a redução de risco de doenças.

Entre os produtos identificados em Alagoas pela comissão da Embrapa durante esse estudo está a fécula da mandioca, um carboidrato sem glúten que pode atender a mercados da América do Norte e Europa, além da água e a carne de coco, extremamente nutritivos e que se configuram como isotônicos naturais, também com mercado garantido. 

“O projeto da Embrapa em Alagoas vai trabalhar principalmente a questão da melhoria da nutrição humana a partir de alimentos diferenciados, com teores maiores de proteína, por exemplo, associado à força do turismo. Teremos aqui uma equipe de pesquisadores que vai gerar conhecimento no Estado, atendendo às demandas dos nossos agricultores, auxiliando a agroindústria e as universidades e contribuindo imensamente para o desenvolvimento de Alagoas”, disse Santiago.

Para o presidente da Federação da Agricultura de Alagoas, Álvaro Almeida, a apresentação serviu para aprofundar mais como será o funcionamento da unidade da Embrapa no Estado.

“Estamos na expectativa que este sonho se transforma, em definitivo, em realidade e que não fique apenas na esperança. Esta reunião de hoje foi mais um avanço dado para que este projeto seja concretizado. Afinal, precisamos muito da tecnologia da Embrapa em Alagoas, crescendo o Estado e a economia com os produtores sendo melhores assistidos. A empresa de pesquisa tem sido o diferencial no Brasil”, declarou Almeida.